Archive for ‘Reflexão’

28/02/2012

Sobre o Kerygma

por aminhavidaeparati

Retiro Louv’ArTe Senhor!

26 fevereiro 2012

Acordei às 6h e não dormi mais. Levantei-me às 6h30m. Dormi poucas horas (5h para ser mais preciso), mas como o sono foi profundo acordei com a sensação de ter dormido 10, cheio de energia e boa disposição. Estive pois, 30 minutos acordado antes de me levantar e nesses 30 minutos vieram ao meu pensamento ideias e memórias; também vieram ao meu coração várias sensações e sentimentos.

Percebi que algumas destas ideias, memórias, sensações e sentimentos vinham de Deus e que foi Deus quem os colocou no meu pensamento e no meu coração porque já vivi experiências semelhantes no passado. Foram experiências bem concretas e reais. Um exemplo: A Net Rádio Católica. Serão apenas inspirações?… Será Deus a falar ao meu coração?… Será Deus a chamar-me como chamou Samuel?… A propósito, tivemos ontem, no 1º deserto, a oportunidade de reflectir e meditar sobre essa passagem da bíblia (Samuel 3). Não tenho a certeza se foram inspirações ou 1 chamamento, mas senti que vieram de Deus, porque Ele É!

Continuo a sentir isso? Sim.

Pediram-me para vos falar sobre o Kerygma que, como representante da associação, devia ser eu a falar. Pois bem, aqui estou. Na minha vida profissional sou professor, mas também não deixo de ser aluno. E como “bom” aluno, quando preciso… arranjo umas cábulas, também conhecidas por auxiliares de memória. E porque são várias coisas para vos falar, para não correr o risco de me esquecer de algumas, resolvi levantar-me, vestir-me e vim para a capela, aqui, em frente ao Senhor Ressuscitado, escrever este texto, com a Sua ajuda.

É aqui em frente ao Santíssimo que o importante acontece! Deus sabe o que cada um precisa para a sua vida. Acreditem que Ele, mais cedo ou mais tarde, dá ou dará o que cada um precisa. Pode não ser o que cada um deseja, o que cada um quer, o que cada um gostava que fosse… mas Ele conhece-nos bem melhor do nos conhecemos a nós próprios. Mas Ele Dá ou Dará!
*Ele já se Deu, na Cruz, por Amor! *1

Deus não é explícito, precisamos estar atentos para perceber quando e como é que Ele nos fala ou nos chama. Como aprendemos ontem, nas 3 reflexões, para O encontrarmos e percebermos o que Ele quer para a nossa vida, precisamos de estar predispostos e com o coração aberto para a vontade do Criador, o maior e melhor Artista!

1ª reflexão – Escutar… Estar atento e predisposto para O escutar. Desligar o botão que nos liga ao ruído do mundo. Fazer silêncio no coração. É difícil, mas é possível.

2ª reflexão – Contemplar. É curioso que a palavra contemplar também sugere a ideia de estar no templo. O templo é pois, um lugar privilegiado para exercitarmos a contemplação e assim permitirmos que Ele se manifeste na nossa vida.

3ª reflexão – Adorar! Na adoração não é preciso grandes palavras ou grandes discursos como este que vos escrevo. Basta sermos como somos e estarmos na Sua presença. Sermos como somos, com os nossos dons e as nossas misérias e estarmos disponíveis para o acolher. Na adoração Ele deseja visitar-nos, deseja vir morar na casa do nosso coração, tem saudades nossas!… Ser e estar. Eu olho para Ele e Ele olha para mim.

Voltando atrás nesta minha meditação/contemplação (aqui em frente ao Santíssimo, na Sua presença, aqui onde o mais importante acontece…) e voltando ao propósito de vos falar sobre o Kerygma, em 2006 participámos num outro retiro, como fazemos todos os anos. E tivemos connosco os irmãos da Comunidade Canção Nova. Foram eles que, à semelhança deste retiro, orientaram as reflexões e os nossos momentos de deserto. Hoje temos connosco os irmãos de outra Comunidade a Aliança de Misericórdia.

*Temos uma sintonia e ligação humana (alguns de nós têm também laços de sangue) e espiritual com a Comunidade Canção Nova e agora também com a Comunidade Aliança de Misericórdia. É mais um sinal de que faz sentido caminharmos juntos e estreitarmos os laços de união e cooperação. Juntos avançaremos mais fortalecidos com a Graça de Deus, para derrubarmos os muros que, consciente ou inconscientemente, vamos construindo e que nos afastam uns dos outros, para resistirmos às tentações e ultra-passarmos as adversidades que vão surgindo… as pedras no caminho… *1

Então o que senti que Deus me inspirou ou me chamou… para vos falar foi que, fazendo uma ligação desse retiro em 2006 para este nosso retiro de 2012, aquele foi um retiro da Misericórdia de Deus para as nossas misérias; foi o retiro da Reconciliação. E este retiro, agora, em 2012, está a ser um retiro de Renovação.

Aprendemos em 2006 que, mais do que andarmos pre-ocupados e incomodados com as nossas misérias, a magoarmo-nos com a nossa dificuldade em nos amarmos e nos perdoarmos, † importante de que tudo isso que não é nada e não leva a nada, a nossa missão é ajudar a salvar almas! (o alarme toca pela 2ª vez, 7h55m).

Esta associação – Kerygma – é 1 meio para fazermos cumprir esta missão, este desejo de Deus: Salvar almas!

Podemos fazê-lo ou tentar fazê-lo individualmente, cada um, na sua vida. Em associação tentamos cumprir esta missão juntos; fazemo-lo através da arte: a Arte de Deus!
(já tocou o alarme pela 3ª vez; hora de terminar).

Temos uma identidade e uma espiritualidade, mas a missão maior que Deus confia a cada um individualmente é ser santo e a nós em conjunto é SALVAR ALMAS!

(8h05m toca o alarme do telemóvel pela 4ª vez)
Ajoelhei-me, rezei a oração do Anjo de Portugal aos Pastorinhos 3 vezes, saí da capela e fui para a missão…

Carlos Marques – Kerygma

 

*1 Anotações posteriores a 26 fevereiro 2012

03/10/2008

… como grãos de areia

por aminhavidaeparati

“Havia um deserto que possuía imensos grãos de areia. Muitos desses grãos, por serem jovens, deixaram-se levar pela brisa que sobre eles diariamente soprava. Pela sua leveza alcançaram um lugar distante daquele onde tinham nascido, mas isto não era problema, pois a juventude que os caracterizava dava-lhes força e a união necessárias para suportarem a distância. Todos os dias eram inundados pela luz e calor do sol, coisa que eles muito apreciavam, pois quando eram arrastados pela brisa, conseguiam ver o local onde acabavam por cair.

Um dia, porém, a brisa transformou-se em vento e este em furacão que trazia consigo muita, muita chuva. Os grãos sem perceberem, viram-se arrastados em grandes quantidades de areia que ao caírem no chão se iam acumulando, formando dunas cada vez mais altas e extensas. Os pobres grãos, coitados, quiseram libertar-se, mas a água corria furiosa encosta abaixo, levando tudo à sua frente. Os grãos incrivelmente viviam um deserto… no próprio deserto! Acomodaram-se, aconchegaram-se, enfim, recolheram-se o melhor que puderam… porém não conseguiram ficar resguardados por muito tempo. A forte chuvada tinha deixado um rasto de destruição e alguns começavam a empedernir.

Após meses de tempestade, uma manhã um raio de sol mais ousado rompeu o tecto de nuvens e veio incomodar um dos grãozitos de areia que se desprendeu daquele princípio de pedra que estava a nascer. Rolou encosta abaixo e foi tocando com o seu calor os outros grãos seus companheiros de viagem. Aos poucos estas pedrinhas pequenas foram rolando e incomodando outras. Chegadas ao vale, reuniram-se e, fruto da queda, estavam mais redondas, mais lisas, mais leves! Olhavam-se e começavam a perceber que estavam diferentes, mas curiosamente mantinham uma vontade comum que haviam descoberto tempos antes: queriam continuar no deserto mas sentiam que a sua missão era tocar noutros grãos que se estavam a deixar empedernir. Queriam no fundo que o deserto, mantendo aquela aparência, fosse renovado por outros grãos e por novas dunas, que aliás serviam para atestar a leveza de cada grão, pois quanto mais leves, mais eles se deixavam levar pelo vento e novas dunas ajudavam a formar. E como eram, são e serão importantes essas dunas!… Cada nova duna deixa espaço a que outra surja, pois no deserto, aprenderam os grãos, há espaço para todos e todos têm uma missão a cumprir. Uma duna fica mais pobre se perder um grão. Mas uma duna que ganhe um grão, fica mais rica, mais forte, mais coesa. Também é assim o nosso Deus, mais uma alma conquistada, mais alegria no céu.

Sejamos nós estes grãos inquietos que só cumprem a sua missão: aumentar o tamanho das dunas.”

(Paulo Simões, Retiro Kerygma – Fevereiro de 2006)

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